Todas As Noites de Lua Cheia


09/12/2008


O DIABO RIU POR ÚLTIMO (1).

Há algo emblemático em cada fechamento de ano. As reflexões que sempre ruminamos nas tardes de domingos (aquelas tardes mortas que a maioria das pessoas passa em frente à TV com a vaga sensação de insatisfação) quando questionamos o que fizemos / deixamos de fazer na semana geram juros e são avaliadas nos últimos dias do ano.

 

2008 foi mais um ano (na verdade, o Anjo Mau que tenho no meu ombro dá uma risada escarninha e diz "menos um ano, Eddie..." (2)) e posso dizer que foi um bom ano. Qualquer ano em que você consegue chegar ao fim vivo, foi um bom ano.

 

Então, vejamos...

 

Publiquei poesias em duas coletâneas; participei do lançamento de um dos livros na Casa das Rosas (SP), com direito a leitura (gaguejante) de uma delas; em março sai a publicação de uma revista especializada em fisioterapia com um artigo de minha autoria; consegui uma parceria estimulante (3) e estamos "escrevinhando" INSOMNIA; consegui a série completa de DEATH NOTE (SIM! SOU NERD!); em fevereiro retomo minha história OLHOS VERMELHOS / OLHOS AMARELOS...

 

Consegui manter meus bons amigos por perto, independente da distância física que nos separa. Estou experimentando o amargo e o doce de me apaixonar novamente; consegui me reaproximar de pessoas das quais gostava e que a vida / circunstâncias me afastou (mais importante: Isso feito antes que apenas fossemos memórias fugidias em tardes de domingo)... (4)

 

Tudo bem. Hoje sei que as chances de Sandy largar André Lima e me procurar são mínimas, mas são maiores do que eu ganhar na Megasena e tem gente que consegue, porque não eu? (5)

 

Foi um bom ano. Em 2009, tomar cuidado para não repetir os erros de 2008 e seguir em frente (pelo menos os mais graves e de efeito acumulativo... Mas cometerei alguns, afinal, qual é a graça de viver sem errar?). Um dos erros que evitarei cometer é de colocar adendos com gracinhas em meus post (6).

 

Para quem me acompanha em 2009, abraços e beijos. A gente se vê ou não, mas estaremos juntos. Para quem fica em 2008 (7), foi um prazer, pena não ter sua companhia!

 

 

(1) Excelente título para um filme, não é crianças? Adoro principalmente a citação: "Tempo? O que é o tempo? Os franceses o acumulam, os suíços o fabricam, os italianos o desperdiçam, os indianos dizem que ele não existe, os americanos dizem que ele é dinheiro e eu digo que o tempo é uma grande trapaça!"

 

(2) Tenho dois anjos que vivem falando comigo, um deles é mau. O outro é pior.

 

(3) Visitem o blog: www.pimentaepirulito.zip.net. Levem um crucifixo. Não acessem à noite. Não confiem na aparência inofensiva.

 

(4) Amigos. Valorizei / valorizo demais isso. Não importa se são poucos, nunca fiz questão de ser muito popular (o Anjo Mau em meu ombro acaba de dizer "Se nunca fez questão de ser popular, parabéns. Fez um excelente trabalho... Prova disso são os post em seu blog"). No fim, talvez eu realmente precise de apenas quatro bons amigos ao final da minha vida. São aqueles que carregarão meu caixão até a sepultura (o Anjo Pior se manifestou: "Na verdade, bastam dois. Não existe lata de lixo com quatro alças, hehehe...").

 

(5) Verdade! Tenho mais chances da Sandy largar André Lima por minha causa do que ganhar na Megasena! Mas desconfio que o fato de não jogar acaba interferindo nesta estatística...

 

(6) Isso vicia! Tentarei mesmo parar! DROGA! FIZ DE NOVO!

Escrito por Eddie, o Lobo às 19h01
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À QUEIMA-ROUPA.

Eu a esperava em uma esquina, vez ou outra voltando meus olhos para as pessoas que passavam rapidamente fugindo da chuva. Algumas corriam, na ilusão de que assim se molhariam menos e eu sabia que correr na chuva é inútil: Você vai de encontro às gotas à sua frente e de qualquer forma, todos se molham - os lentos e os rápidos. Mas existe a ilusão de que algo está sendo feito e, para a maioria das pessoas, isso basta.

 

Ninguém realmente se vê quando chove. As pessoas constatam a presença (na maioria das vezes incômoda) uma das outras, desviam-se e seguem em frente. He, talvez seja uma boa filosofia de vida afinal de contas... As únicas pessoas que enxergam algo em um dia de chuva são aquelas que procuram este algo. Ou fogem dele.

 

Um ônibus descarrega uma leva de pessoas que corre para marquises e toldos de bares. Acho bizarro ver duas mulheres distintas buscando abrigo da chuva em um bar infecto, o tipo de lugar que elas jamais entrariam (ou talvez já tivessem freqüentado demais em sua juventude / outra vida). O instinto diz: Fuja da chuva, não importa para onde.

E fixo meus olhos na única pessoa que nega este instinto, cobrindo a cabeça com uma pastinha de plástico e caçando algo com o olhar. Ou talvez fugindo deste algo.

Eu.

 

Carrego cicatrizes. Ninguém sobrevive sem cicatrizes e garanto que ela deve ter algumas também. As gotas que impregnam meus óculos diminuem em muito minha visão, mas isso não importa. Terei que chegar muito perto para fazer o que deve ser feito. Esta chovendo e ninguém se importa com ninguém em um dia de chuva. Eles correm. Desviam os olhos. E ela está olhando para outro lado, basta andar rapidamente...

 

Pela suas costas, ao alcance da minha mão. Sinto o cheiro suave de seu suor apesar do perfume delicioso. Fui cuidadoso, soube manter a distância necessária, fui uma sombra na chuva e enquanto pela milésima vez tento decidir o que fazer, ela se volta de repente.

 

Ela sabia. De alguma forma, ela sabia que eu estava lá.

Enquanto todos desviam o olhar e reclamam pelos sapatos encharcados, nós nos encaramos e eu vacilo por um segundo apenas, tentando definir a cor de seus olhos. Olhos felinos, tons de verde e cinza que mudam conforme a claridade.

 

Eu vacilo, ela não.

Sem amenidades, sem hesitar. À queima-roupa.

O primeiro beijo me pega de surpresa, apesar de eu já estar esperando.

"Senti sua falta", ela me diz com a voz triste. Os olhos felinos confirmam e quase posso ouvir o ronronar que deveria acompanhar este tipo de olhar.

Eu a abraço porque desejo, mas uso a desculpa de protegê-la da chuva que cai.

E fico feliz que as pessoas apenas resmunguem e desviem de nós, enquanto não fazemos absolutamente nada para fugir da chuva.

Escrito por Eddie, o Lobo às 19h00
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