O VELHO SÁBIO – A FÁBULA DE WONG WOLF.
Devido a uma divergência sobre os limites de propriedade entre dois grandes senhores chineses, Wong Wolf foi encarregado de trazer um jurista para decidir a questão antes que seu mestre e o vizinho entrassem em conflito.
Ao chegar a ponte que o levaria até a cidade, Wong Wolf encontrou um velho que lhe perguntou o que estava fazendo e depois de ouvir a história, prontificou-se a acompanhá-lo e ajudar a resolver a questão.
O mestre de Wong Wolf foi o primeiro a falar: Falou durante horas a respeito dos limites de sua propriedade, de suas criações e plantações, de seus antepassados... O velho o ouvia, sempre sorrindo. Quando acabou, o velho colocou sua mão no ombro do palestrante e disse:
- Você tem razão.
O vizinho ficou enfurecido: Como o sábio podia decidir isso sem antes ouvir a outra versão da história? E assim, defendeu ardorosamente seu ponto de vista, sua história, as vantagens que o comércio havia lhe trazido... O velho sorriu mais ainda, abraçou o vizinho e disse:
- Você tem razão!
Wong Wolf estava confuso e, depois de muito pensar, decidiu intervir:
- Velho sábio, isso me parece sem sentido! Como podem ambos os senhores divergir completamente a respeito do mesmo assunto e ambos estarem com a razão? Um deles deve estar sem razão nenhuma!
O velho sorriu, pensou bastante e abraçou Wong Wolf:
- Você tem razão!
MORAL: Na verdade, Wong Wolf deveria ter seguido as ordens de seu mestre e ter procurado um advogado ou equivalente. E ele apenas SUPÔS que aquele velho fosse sábio pela idade avançada que ele demonstrava, afinal as condições de higiene, saúde e alimentação eram precários na China antiga e somente alguém muito rico ou muito sábio conseguia chegar além dos quarenta e poucos anos. O velho divertiu-se bastante e foi a primeira vez que lhe davam tanta atenção assim em muitos anos. Provavelmente, deveria estar senil e foi abandonado pela família naquela ponte quando Wong Wolf o encontrou.
OS TRÊS CAVALOS E O CÃO – UMA FÁBULA AMORAL.
Três cavalos pastavam tranqüilamente em uma tarde de brisa fresca, quando de repente um deles resolveu comentar com os outros:
- Tive uma boa vida, sabiam? Fui o cavalo de um bravo soldado e muitas vezes o acompanhei em batalhas... De uma feita, meu amo foi ferido e eu o carreguei até as nossas linhas, onde ele recebeu socorro e foi salvo.
O segundo cavalo pensou um pouco e deu sua opinião:
- Também participei de muitas batalhas, mas fui a montaria de um nobre. Era minha função levá-lo para os acampamentos, onde as ordens e comandos eram dados. Quando se fez a paz, fui eu que o levei em glória pelos territórios conquistados.
O terceiro cavalo pronunciou-se:
- Já eu fui o cavalo de um religioso. Na guerra, meu senhor me conduzia para abençoar as tropas, confortar feridos e falar sobre os desígnios divinos para as mães que perderam seus filhos em combate.
Um cão que ouvia a conversa dos cavalos resolveu intervir.
- Senhores, nunca participei de nenhum combate. Aliás, jamais me afastei do pequeno sítio de meu dono. Durante toda a minha vida segui ao seu lado e lhe dei companhia, amizade e lealdade. Defendi sua casa, servi de brinquedo para seu filho e hoje, velho e entravado, passo as noites aquecendo os pés de sua esposa e matando os ratos que ousam entrar em sua casa.
Os três cavalos ficaram um bom tempo em silêncio, estupefatos.
Por fim, o cavalo do religioso comentou:
- Viram que interessante? Um cachorro que fala!
MORAL: Nenhuma. Eu avisei logo no título da fábula. Consultem o dicionário e vejam o que significa “amoral”. Mas é uma história interessante, não é?




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