Todas As Noites de Lua Cheia


13/03/2009


DA JUSTIÇA E DOS INSTINTOS DOS CARANGUEJOS.

            Não sei se é por inveja, despeito ou pelo maldito sentimento de que se a vida não vale a pena, não deve valer a pena para ninguém – O conceito deturpado de “justiça”.

 

            Duas semanas atrás comecei a estudar na USP. Até aí, nada demais: Cerca de 10.000 calouros começaram a estudar no mesmo dia, mas isso não diminuiu em nada a minha alegria. Afinal, eu estava conseguindo realizar a primeira parte de um de meus sonhos.

 

            O saco é que quando dividi este momento com meus amigos (escolhidos a dedo e eu sei a diferença entre amigos, colegas, conhecidos e “aquela gente que apenas está ocupando o mesmo espaço físico que eu no trabalho / bar / clube ou coisa que o valha e não podemos fazer nada a respeito”), alguns da última classificação resolveram que poderiam acrescentar algo de útil com comentários tipo “É... Mas vai ser difícil conseguir alguma coisa na sua área”, “E você vai todo dia para lá? Vixe... Não vai agüentar! Cansa... Não compensa...” ou até mesmo “A USP não é lá estas coisas... Só tem nome”.

 

            “Você teve sorte”.

 

            Não. Não vou desfilar meu rosário egocêntrico dizendo que “sorte” não existe em determinadas condições. Não foi acaso, não foi porque eu estava no lugar certo e na hora certa. Quem tem o mínimo de discernimento sabe que “sorte” e “azar” possuem o mesmo nome: Conseqüências. Para cada atitude ou decisão que tomamos, existem as conseqüências.

 

            Claro, existem aqueles que pagam por ela ou que as assumem. Existem os que se eximem, se desculpam ou tentam apelar para a atitude blasé de que nada interessa, de que eles são mais eles e se não gostarem...

 

            E no meio disso tudo, relembro alguns momentos marcantes em que a cada pequena vitória ou tentativa, ouvi frases similares...

 

            “Não é para tanto também! Qualquer um podia conseguir se esforçasse um pouco”; “Mas valeu a pena? Você nem parece que vive! Não sai, não viaja... Você só faz assim ou assado”; “Também... Depois de tanto tempo tentando, qualquer um consegue!”

 

            “Você teve sorte”.

 

            Ou, mais recentemente: “Se você tem direito a isso, então eu tenho também! Todo mundo é igual!”

 

            ... Há uma cena pequena de minha infância que transcrevi em um conto que aguarda revisão, trancado em uma gaveta. Volta e meia a lembrança retorna e a divido agora. Talvez para mudar o assunto de meu post para algo mais ameno.

 

            Estava na praia, observando os barcos retornando com pescado para venda. Lembro que os pescadores abriam as caixas de isopor para expor a mercadoria ainda viva. Lembro de várias caixas fechadas.

 

            Um velho me contou que as caixas ficavam fechadas porque os peixes pulavam, mesmo quando havia água suficiente para que eles não morressem. Eles sempre tentavam sair, mesmo que as chances de cair no mar fossem pequenas e que, provavelmente, acabariam morrendo no chão do barco ou na areia da praia.

 

            Todas as caixas fechadas. Menos uma.

 

            A dos caranguejos nunca precisava de tampa. Sim, vez ou outra algum caranguejo tentava sair, apoiando-se com as garras e tentando escalar a parede de isopor.

            Quando isso acontecia, quando ele estava quase conseguindo... Os outros caranguejos o puxavam de volta. Isso se repetiu uma, duas, três... Nem sempre era o mesmo caranguejo – Mas a reação era sempre a mesma.

 

            Todos no barril. Iguais. Presos. Assustados. Brutalmente ferrados.

            Tenho certeza de que a caixa virasse, todos fugiriam. O problema era apenas UM conseguir algo no meio de tantos. A memória é falha, mais a impressão que ficou é que os caranguejos mais acomodados na caixa eram os que puxavam os fujões com maior vontade.

A justiça igualitária dos caranguejos...

 

            ... Particularmente, eu os aprecio. Sou capaz de devorar meia dúzia, com uma boa cerveja. Quem conhece e aprecia, sabe que a carne das garras (junto com o molho que acumula lá dentro... Hummmm!) é a parte mais cobiçada. Se me trouxerem algum com uma garra faltando e a desculpa for “É a prova de que está fresquinho! Perdeu a garra lutando contra outro caranguejo na cozinha”, eu já sei a minha resposta.

 

            “Me tragam o que ganhou a briga”.

Escrito por Eddie, o Lobo às 12h34
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12/03/2009


A QUEIMA-ROUPA - A OUTRA VERSÃO

Recebi de minha namorada a "versão" dela de um post meu e devo dizer que eu adorei! Senão pela certeza que ela lê este blog, pela natureza da mulher que está comigo e é claro... Pelo post!

.....Naquela tarde  de sábado havia chovido muito e  a noite guardava ainda seu ar úmido

e  frio, o tempo mostrava que de repente viria tornar  a derrubar suas águas, tratei de caminhar mais rápido, pois, após um longo banho quente e relaxante e todo o ritual de preparação : creme hidratante no corpo, base de esmalte nas unhas, no rosto, apenas  um  delineador que destacava os olhos acizentados  ,    um batom  leve, cabelos presos ao alto da cabeça  e finalizando um  perfume          suave   mas  bastante feminino;não queria que nada estragasse minha produção feita especialmente  para ele, nem mesmo  uma chuva inesperada. No ônibus , as pessoas traziam  no semblante triste  uma certa preocupação demasiada com o cair das águas . Deixei de me  preocupar com ela, afinal de contas, era um processo natural e ela cumprira o seu papel. De  certa forma estava em paz comigo mesma  e a  condição de saber que  ele me aguardava me fazia  sentir  alegria, já  que não experimentava essa sensação  havia  algum tempo.

As pessoas corriam como loucas de um lado para outro, duas senhoras aparentemente requintadas não hesitaram em entrar em  um boteco para escapar dos pingos que pareciam cair com mais agressividade naquele momento; decidi esperar todos descerem e uma ansiedade tomou conta de mim naquele instante, parecia –me cada vez mais estar perto dele apesar de não vê-lo.Tentei proteger-me  dos pingos com uma pasta, mas tudo em vão, já que as rajadas enviadas da chuva impediam-me a visão. Senti seu cheiro e sua presença e ao voltar-me ele estava lá , de pé, sorrindo para mim.....Dois passos e um beijo... Testemunhando que sentira a minha falta.

Caminhamos até a casa, enquanto as pessoas ainda corriam da chuva, não nos importamos com os pingos e conversávamos ainda tímidos, chegando me sentei no sofá e ele ainda de pé, comentava  sobre algo que não me lembro, apenas ouvia  as lamentações da chuva lá fora,  o tremor  da janela com a pequena ventania , que se formava  depois  em temporal, dentro da casa o silêncio e eu atônita, sem voz  , fitando-o como se uma invasão de sentimentos houvessem me tomado naquele momento.....  Me lembrado apenas do seu sorriso..... Naquela hora  eu..... Me apaixonei.......

 

 


Escrito por Eddie, o Lobo às 12h42
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