01 – Monges budistas não gostam de celulares. Muito menos quando ao invés de um toque padrão, o celular começa a uivar ou emitir sons de uma menina possuída pelo demônio.
02 – Monges budistas acordam quando eu estou indo dormir. E não costumam guardar o café da manhã para quem acorda atrasado (Principalmente quando este alguém acorda com o despertador do celular tocando o tema de “Missão Impossível”).
03 – Apesar de usarem roupas folgadas, serem orientais e rasparem a cabeça, monges budistas NÃO são monges Shaolin. E não adianta pedir a eles para ensinarem algum golpe mortal que pode ser aplicado por pessoas em péssima forma física.
04a – Apesar de monges budistas NÃO serem monges Shaolin, eles também não costumam levar desaforos para casa... E mentem quando dizem que não conhecem nenhum golpe de arte marcial que doa bastante.
04b – Não confiar em monges budistas que sorriem e são extremamente simpáticos ao pedirem pela milésima vez que desligue o maldito celular dentro do mosteiro. E não fazer piadas irônicas a respeito do corte de cabelo dos mesmos.
05 – Buda é representado como gordo... Quero dizer: obeso... Melhor ainda: Com índice de massa corporal acima de 40 para representar a fartura, não porque tinha algum problema na glândula tireóide.
06 – Os Beatles nunca disseram que eram mais populares que Buda.
07 – Monges budistas gostam de fazer perguntas para as quais não existem respostas. Isso é irritante, ainda mais quando eles ficam sorrindo e inclinando levemente o corpo em sua direção.
08 – Evitar usar incenso de patchouly para rituais de meditação, principalmente quando todos a sua volta utilizam apenas incensos rituais neutros. Incensos de defumação (Tipo “Abre Caminhos” ou “Tranca Corpo”), nem pensar.
09 – Mosteiros são locais muito, MUITO silenciosos. Dá para monges budistas ouvirem as músicas em MP3 da Ennya que você pensa estar ouvindo discretamente enquanto medita, com o maldito celular ligado novamente.
10 – Meditar não é dormir sentado nas próprias pernas e acordar com as mesmas formigando.
11a – Eram os monges da Igreja católica que tinham barris de cerveja e vinho escondidos no porão.
11b – Você NÃO vai querer abrir as caixinhas de madeira que monges budistas guardam no porão. Aquelas com nomes de pessoas escritas com pirógrafo na tampa.
11c - Mosteiros são locais muito, MUITO silenciosos. Dá para monges budistas ouvirem você gritando no porão, mesmo com as portas fechadas.
12 – Banhos de furô são deliciosos, mas evite associar mentalmente estes banhos com vinho branco gelado... Porões com barris de vinho... Caixinhas de madeira cobertas de poeira, com nomes escritos na tampa...
13 – Evite perguntar as horas para um monge budista depois que os mesmos esconderem seu celular porque você se recusa a desligá-lo. Vai ouvir uma resposta como “E o que é o tempo?”. Se você realmente estiver irritado, pode dissertar sobre o tempo ser a quarta dimensão envolvida na existência de um corpo e estar associado ao modo como delimitamos a execução de certas tarefas. Como o café da manhã que você nunca toma porque sempre chega atrasado ao refeitório.
14 – É Dalai Lama e não Dalai Lhama. Lhama é aquele bicho esquisito peruano que parece um cruzamento de camelo com carneiro.
15 – Não é uma honra você ser escolhido pelos monges mais velhos para passar algum tempo com os monges novatos porque “Eles precisam aprender a desenvolver a paciência”.
16 – Aquelas histórias que os monges contam, envolvendo animais e situações que você acha engraçadas se chamam “parábolas” e não “piadas”. E parábolas de escorpiões traiçoeiros, rãs ingênuas, serpentes agradecidas e cães sábios são aceitáveis. De papagaio bêbado e jumento tarado, não.
17 – Apesar dos sorrisos, tom de voz moderado e a inclinação humilde em sua direção, você sabe que está sendo considerado irritante quando vê um monge budista trabalhando em uma caixinha de madeira com o seu nome escrito na tampa. Tomar cuidado se os outros monges ainda ficam dando sugestões ou fazendo comentários sobre “Para que fazer tão grande?” Ou “Se nós ajudarmos, ela fica pronta antes de anoitecer”.
18 – Quando você finalmente acorda na hora para tomar o café da manhã (na verdade, não dormiu porque viu que a caixinha de madeira ficou pronta), os monges budistas decretam jejum. E os sorrisos transformam-se em gargalhadas.




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